Tivemos ontem nosso primeiro fórum, juntando todos os bolsistas. Para começar, um tema bem levinho: o futuro do jornalismo. Como era de se esperar, a discussão foi meio deprimente. Algumas conclusões: o número total de leitores de jornal está caindo (aqui nos Esteites) e não dá nem para culpar esta internet que vos fala, já que já faz 40 anos que a queda é constante. A imprensa, com menos investimento e equipes mais enxutas, está se tornando menos capaz de fazer o trabalho fundamental de fiscalizar o poder público. Os anunciantes precisam cada vez menos da imprensa, porque estão descobrindo jeitos de atingir diretamente os leitores. Enfim, discussão dura, que uma hora foi se tornando tensa, às vezes quase agressiva. Vivemos momentos turbulentos, em que ser jornalista não é muito fácil. Mas acho que os americanos estão mais preocupados que nós, gringos. Afinal, por muitos anos eles se acostumaram à fartura: aqui há milhares de revistas e jornais, com orçamentos gigantescos, vendidas aos leitores a preço de banana (acabei se assinar a sensacional revista Esquire por 8 dólares o ano!). Tudo isso historicamente financiado pelo dinheiro fácil da publicidade, num país onde consumir é quase sinônimo de viver. É um mercado saturado, imenso. E, se a grana da publicidade secar, quem é que vai pagar por isso, como diria o Capital Inicial. Já nós, do Terceiro Mundo, já estamos acostumados com a falta de grana e de leitores (nasci num Brasil onde a regra era ser analfabeto – ainda há muito o que se fazer por lá). O que dizer do Zimbábue, da minha amiga Violet? Lá pouquíssima gente tem acesso a publicação nenhuma, não existe imprensa livre, e a ditadura de quase 3 décadas do mala do Mugabe nada de braçada. “No Zimbábue, internet é uma oportunidade, não uma ameaça”, disse ela. Que bom que tem ela para colocar as coisas em perspectiva…