Você conhece a frase acima – é a mais famosa do discurso mais famoso de Martin Luther King Jr. Conheça então o sujeito que escreveu esse discurso: Clarence B. Jones, advogado negro, ainda vivo, cheio de saúde, a mente rápida como a de um garoto de 19 anos, a habilidade de contar histórias (compriiiiidas) que só um sujeito de 78 anos tem.
Clarence veio falar em Stanford. E contou uma história de quase 50 anos atrás. Ele era um advogado de 29 anos, filho de negros pobres, trabalhadores domésticos, que conseguiu estudar em Columbia, se destacou, ganhou dinheiro, casou com uma mulher branca bonita, comprou uma casa legal em Los Angeles e foi trabalhar para a indústria de cinema. Confortável. Aí o telefone tocou, era um ex-professor da faculdade, querendo saber se ele topava trabalhar para Martin Luther King. Ele disse não, estava muito ocupado. Toca o telefone de novo, era o secretário particular de King, dizendo que King iria para LA, queria visitá-lo, “ele pode passar na sua casa para dizer ‘oi’?”. Ok, pode.
Sexta à noite, King aparece lá. Ao final da conversa, a mulher branca de Clarence estava encantada com ele. “O que diabos você tem para fazer que é tão importante que não pode ajudá-lo?”, esbravejou ela depois que a visita foi embora. Clarence não cedeu. “Foi uma longa noite aquele entre mim e minha mulher”, ele lembra. Dia seguinte, ele recebe um convite para uma missa que seria celebrada por King. Ele não queria ir, mas sua esposa não deixou opção: “você pode não ajudá-lo, mas na missa você vai”. Ele senta na igreja e King começa a falar da obrigação dos negros bem formados e enriquecidos do norte de ajudarem os negros pobres do sul, onde ainda havia leis segregacionistas. “Por exemplo, veja esse jovem que está aqui na igreja hoje. Ele mora numa casa bacana num subúrbio de Los Angeles. Me disseram que a mente dele foi tocada por Deus.”. Clarence não conseguia acreditar que King estava falando dele. No final, King falou da pobreza dos pais “desse jovem que está na igreja”, do sacrifício que eles fizeram para que ele estudasse, da dor da separação de sua mãe quando o mandou para a faculdade. “Acho que esse jovem esqueceu de onde ele veio”, arrematou.
Ao final da missa, Clarence aceitou ser advogado de King. Anteontem foi aniversário de King, segunda é feriado para comemorar. Clarence vai lançar este ano o livro “What would Martin Say” (O que Martin diria?).












































































